quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Os extraterrestres somos nós

Google/fotos

Desde os tempos da prensa de Gutenberg (1440) até os nossos dias, a humanidade tem passado por verdadeiras revoluções tecnológicas. Uns assimilaram as novas mídias, outros preferiram resistir, por opção. A cada hora são inúmeros modelos de aparelhos celulares, ipods, smartphones e tablets.

Toda essa gama de tecnologia me faz lembrar outras tantas tecnologias utilizadas em um passado recente como as máquinas de datilografia, máquinas de calcular, produtos como os carimbos de madeira, as folhas de papel carbono, etc.

Na área contábil, área de atuação de meu pai, presenciei, dentro de casa, livros imensos de registro de entrada e de saída de mercadorias, utilizados no registro contábil das empresas comerciais. Hoje, as empresas já não precisam deles para esse tipo de registro e muito menos de fechar o ponto comercial, por vários dias, para realizar o balanço, quando afixavam na porta aquele conhecido aviso e/ou cartaz com a frase: “fechado para balanço”.

A chamada revolução tecnológica chega sem pedir licença, ultrapassa etapas, especificamente em um país de 500 anos que enfrentas problemas cruciais na área de educação.

O mais comum hoje em dia no Brasil é a apresentação de dados estatísticos, nos quais se revelam significativas taxas de analfabetismo; a pouca leitura por parte da população brasileira, além do custo elevado no preço dos livros publicados.

A escola, especialmente no ensino básico, quando não é precária fisicamente, sofre pela falta de professores, sem falar nos parcos salários pagos aos mestres, principalmente nas regiões mais pobres do país.

É sabido e notório o esforço do Ministério da Educação em criar os mecanismos para uma significativa melhora do ensino e das condições para que os cidadãos possam correr atrás do prejuízo, no que tange à qualificação educacional e profissional. Como, efetivamente, acreditar que essa estudantada vai se sentir preparada e qualificada para disputar uma vaga no mercado de trabalho, diante dessas constatações?

Por outro lado, é confuso tentar entender como em um país que não conseguiu despertar a paixão e o interesse pela leitura de livros impressos por parte da maioria da população, haja o empenho, por parte dos órgãos gestores da educação nacional, em implantar nas escolas públicas a utilização de tablets em detrimento, possivelmente, do livro impresso.

É reconhecido que especialistas da área já defendem essa tese, como citado em matéria jornalística no site do IG, no dia 13 de abril de 2011: “Ministério da Educação estuda uso de tablets nas escolas públicas”, em que Gilberto Lacerda, especialista em tecnologia da educação da Universidade de Brasília (UnB), avalia: “Estamos vivendo uma revolução e precisamos estar embarcados nelas. Estamos mudando o suporte escrito do papel para o digital. Há um saudosismo em relação ao livro, mas a tendência é o livro desaparecer. O conteúdo, no entanto, não desaparece”.

Nada contra o uso de novas tecnologias no ambiente escolar, especialmente no ambiente universitário, onde já é presente essa interatividade, acesso a bibliotecas digitais, conteúdos disciplinares, menções, notas, e até da comunicação antecipada ao aluno da ausência de um professor, no horário normal da grade acadêmica, evitando que o aluno se desloque até a sede da Universidade.

O preocupante, enfim, não é a entrada da tecnologia na escola de nível fundamental e/ou básico, mas o uso que irá se fazer dela. Sabemos que, em muitos casos e exemplos, quando não fica obsoleta é mal utilizada, por falta prévia de qualificação do professor para aplicabilidade no dia a dia da sala de aula.

Se as previsões forem essas, de uma educação meramente virtual, seremos habitantes de um mundo a distância. Não precisaremos mais interagir presencialmente com o nosso próximo.  Basta tocar na tela e enviar o relatório, a planilha, o questionário, a prova, o resumo, o pagamento, o ponto de vista.


O toque humano, que inclui demonstração de carinho, amizade, afeto e solidariedade, será substituído pelo toque digital, onde reconheceremos que os extraterrestres somos nós e não sabíamos.

Luiz Penha é Jornalista e graduando do curso de Letras.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lembranças de Fulano, Sicrano e Beltrano

Imagem blog:educomunicação


Em um dia de profunda melancolia, o professor João da Silva resolveu remeter uma carta para o jornal mais lido de sua cidade, onde desabafou sobre a realidade da educação e sobre o movimento grevista iniciado pelos professores da escola Esperança no Amanhã, onde leciona, juntamente com todos os educadores da rede estadual de ensino.

Estou há trinta e cinco anos no magistério público. Foi a profissão que escolhi e abracei para me realizar profissionalmente. No começo me sentia valorizado, era respeitado pelos meus alunos e me orgulhava de vê-los chegar a uma graduação e saber que dei minha contribuição para que eles tivessem a oportunidade da realização profissional, assim como eu tive.

Passaram-se os anos, o país cresceu, se desenvolveu, mas algumas categorias profissionais passaram a ser vítimas do descaso e do descompromisso com o futuro. Esse descompromisso teve como uma de suas maiores vítimas os profissionais do magistério.

Ao olhar para um passado não muito distante, vejo o quanto está desvalorizada a profissão que abracei. Ela não desperta o menor interesse por parte dos jovens. Contraditoriamente, dizem até que aqueles que não estudaram o bastante para galgar outras profissões terminam optando por ser professor. Vejam a que ponto nós chegamos.

O meu país, hoje, ainda tem uma taxa significativa de analfabetos, os critérios de avaliação nas escolas são questionáveis e a chamada progressão continuada é objeto de críticas, dentre outros questionamentos passíveis de discussão quando se trata da qualidade da educação.

Ao refletir e ao mesmo tempo revisitar instantes vivenciados em sala de aula, relembro nomes de alunos, os quais ficaram marcados em minha memória, dentre tantos nomes de jovens com as quais convivi nas mais diversas escolas em que lecionei.

Dos nomes de alunos que convivi e que me recordo nesse momento, destacam-se Fulano, Sicrano e Beltrano. Coincidentemente, Fulano é o atual Governador do Estado, Sicrano é o Presidente do Tribunal de Justiça e Beltrano é Deputado Estadual.

Atualmente a minha categoria profissional está envolvida em mais um movimento grevista, lutando por salários mais dignos, mas a proposta que Fulano oferece é irrisória e indigna para o exercício pleno da profissão.

Em função do prolongamento da greve, Fulano resolveu levar a discussão para as instâncias judiciárias. Sicrano, que é Presidente do Tribunal de Justiça, juntamente com os seus pares, decidiu pela ilegalidade da greve.

Beltrano, que é deputado, eleito pelo povo, declarou em um jornal da cidade que todos os professores grevistas deveriam ser demitidos, já que não queriam trabalhar.

Diante de tais fatos, fico a me perguntar onde foi que eu errei durante esses trinta e cinco anos de magistério.

Com todos esses contratempos, ainda acredito que é impossível pensar um futuro sem educação. Educação de qualidade. Educação com professor bem pago em sala de aula, ajudando a construir cidadãos comprometidos.

Mesmo assim, por tanto acreditar, faço meus os versos do poeta: “Por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim...”. Concluiu o professor João da Silva.

Luiz Penha é Jornalista e graduando do curso de Letras.

sábado, 2 de julho de 2011


ABC do Sertão

Composição: Zé Dantas / Luiz Gonzaga
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

Atenção que eu vou ensinar o ABC
A, bê, cê, dê, e
Fê, guê, agâ, i, ji,
ka, lê, mê, nê, o,
pê, quê, rê, ci
Tê, u, vê, xis, pissilone e zê


Postado por Luiz Penha