sexta-feira, 17 de junho de 2011

Canto Primeiro (1-17) de Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões


Trabalho apresentado na disciplicina Língua Portuguesa, ministrada pela profa. Cátia Martins.

Interpretação do Canto I dos Lusíadas

Os feitos dos navegadores
1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Exaltação aos Reis e conquistadores
2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Exaltação às conquistas tecnológicas portuguesas e à obediência dos Deuses
3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Invocação às Ninfas (Deusas) do Tejo
4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

Pedido de auxílio às entidades protetoras
5
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.
Dedicatória ao Rei Dom Sebastião
6
E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antígua liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;
7
Vós, tenro e novo ramo florescente
De uma árvore de Cristo mais amada
Que nenhuma nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada;
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas, e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou)
8
Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;
9
Inclinai por um pouco a majestade,
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.
Reconhecimento da nação aos feitos do Rei
10
Vereis amor da pátria, não movido
De prêmio vil, mas alto e quase eterno:
Que não é prêmio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor suprerno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de til gente.
Exaltação aos grandes feitos portugueses
11
Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos, como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas,
Que excedem as sonhadas, fabulosas;
Que excedem Rodamonte, e o vão Rugeiro,
E Orlando, inda que fora verdadeiro,


12
Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei o ao Reino tal serviço,
Um Egas, e um D. Fuas, que de Homero
A cítara para eles só cobiço.
Pois pelos doze Pares dar-vos quero
Os doze de Inglaterra, e o seu Magriço;
Dou-vos também aquele ilustre Gama,
Que para si de Eneias toma a fama.
13
Pois se a troco de Carlos, Rei de França,
Ou de César, quereis igual memória,
Vede o primeiro Afonso, cuja lança
Escura faz qualquer estranha glória;
E aquele que a seu Reino a segurança
Deixou com a grande e próspera vitória;
Outro Joane, invicto cavaleiro,
O quarto e quinto Afonsos, e o terceiro.
14
Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que nos Reinos lá da Aurora
Fizeram, só por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo, e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora;
Albuquerque terríbil, Castro forte,
E outros em quem poder não teve a morte.
Incitação a Dom Sebastião para Novos Feitos Gloriosos
15
E enquanto eu estes canto, e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que pelo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras, e do Oriente os marços,


16
Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
Tethys todo o cerúleo senhorio
Tem para vós por dote aparelhado;
Que afeiçoada ao gesto belo e tenro,
Deseja de comprar-vos para genro.
17
Em vós se vêm da olímpica morada
Dos dois avós as almas cá famosas,
Uma na paz angélica dourada,
Outra pelas batalhas sanguinosas;
Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos tem lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.

Postado por Luiz Penha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Contos Maravilhosos - Chapeuzinho Vermelho

*Postado por Kênia Pinheiro

"Alguns encaram os contos de fada como uma das variações dos contos populares ou fábula, e não como um gênero exclusivo, mas é fato que todos eles partilham de pontos em comum. São narrativas curtas, transmitidas oralmente de gerações em gerações, onde um herói ou uma heroína tem de passar por diversos obstáculos antes de se sobressair sobre o mal. São histórias nas quais inevitavelmente sempre ocorrem magias e metamorfoses, e apesar do nome, nem sempre as fadas aparecem nessas aventuras. A palavra “fada” vem do latim FATUM – Destino, fatalidade, fado, etc. O termo se reflete nos mais diversos idiomas: FÉE em francês, FAIRY em inglês, FATA em italiano, FEE em alemão e HADA em espanhol. São exemplos de contos de fadas “Branca de Neve e os Sete Anões”, “A Bela e a Fera”, “Rumpelstiltskin”, dentre muitos outros."

Com a introdução retirada do blog "A Floresta Negra" (http://aflorestanegra.blogspot.com/2009/08/em-construcao.html), a professora Cátia Martins apresentou à turma a Sequência Didática nº 3, propondo uma visão mais apurada acerca da psicologia que cerca os "contos de fada" ou "contos maravilhosos".

Após a análise das características intrínsecas que todos os contos dessa espécie contêm, foram desmistificadas muitas crenças que rondam essas espécies de narrativas. A principal, que seriam formas de passar conselhos às crianças, veio a chão após a descoberta de que se tratavam de histórias contadas no contexto europeu do século XII, nascidas da tradição oral de camponeses em narrar histórias assustadoras, costumeiras em suas regiões. Com o tempo, essas histórias foram amenizadas e "formatadas" para um padrão mais lúdico, tendo seu coroamento com os contos retratados na versão Disney.

A proposta, então, foi a recontextualização de algum conto maravilhoso, transformando-o, do gênero textual a que pertence em outro texto, revendo suas condições de produção.

Eu, Kênia Pinheiro, e as colegas de classe Arlinda, Carine, Natália e Priscila, produzimos o texto que se segue:


Retextualização: Chapeuzinho Vermelho – Versão Lobo no Programa do Ratinho

1ª parte: apresentação da entrevista no Programam do Ratinho. Carlos Massa apresenta a entrevista e é exibida a reportagem:

Ratinho: temos uma entrevista exclusiva com o assassino/pedófilo que, na década de 70, chocou o país com um dos crimes mais odiosos cometidos no Brasil. Solta o vt...

Repórter: Depois de anos de silêncio, o assassino da vovó, como ficou conhecido, resolve falar. Condenado a 84 anos de prisão, pelos crimes de homicídio e estupro cometido contra uma menor, o Lobo cumpriu pena de 1972 a 2000, sendo solto após ter cumprido 1/3 da pena, beneficiado por uma brecha do sistema penal brasileiro. Depois de liberto, viveu totalmente recluso, em casa de parentes, no interior de Minas Gerais. Na época, o assassino/estuprador confesso não se deixou entrevistar e, nas raras vezes em que se manifestou, chocou o país com sua frieza e falta de arrependimento.

[Entra VT com imagens do Lobo sendo levado a julgamento, na década de 60. Ele sorri de forma descarada para as pessoas que tentam linchá-lo. É escoltado por policiais. Jornalistas gritando ao redor, tentando conseguir alguma declaração.
Pergunta de um repórter: Lobo, porque você cometeu um crime tão hediondo?
Resposta do Lobo, sorrindo: Elas pediram por isso...]

Repórter: em maio de 1971, Adolfo Ritlério, conhecido como Lobo, depois de um elaborado plano macabro, conseguiu atrair, para uma armadilha mortal, a senhora Amanda Souza, de 73 anos, e sua neta, de apenas 14 anos, Melissa Souza.
Depois das investigações policiais, foi verificado que o psicopata observava a rotina de Melissa, fato que pode ter ocorrido por meses. Acompanhando o itinerário da menina, descobriu o endereço da casa de sua avó, que ela visitava frequentemente. Num dos dias de visita, Lobo abordou a menina, começando assim, uma espécie de amizade.
Alto, forte, de boa aparência, bem vestido e muito articulado, o meliante que, na época, contava com 26 anos, não teve dificuldades em ganhar a simpatia da inocente menina.

[VT da mãe, aos prantos: Um dia, ao sair, eu a vi conversando com ele. Perguntei quem era. Ela disse que era só um amigo. Era uma menina muito inocente, bem criança ainda, apesar da idade. Não sei como pude deixar que aquilo acontecesse... choro convulsivo]

Repórter: No dia 3 de maio de 1973, Lobo resolveu pôr seu plano em ação: sabendo que Melissa iria à casa da avó, abordou-a, em frente à sua casa, falando-lhe que descobrira sobre um atalho para a casa da avó. O tal desvio, na verdade, era mais longo, o que daria tempo para que Lobo consumasse a armação. De carro, ele chegou antes à casa da senhora Amanda. Bateu à porta, identificando-se como um fiscal de esgotos. Assim que a senhora o deixou entrar, ele a rendeu.
Os eventos que se seguiram foram de total brutalidade... Após amarrá-la, Lobo a asfixiou com uma sacola plástica. Colocou o corpo numa banheira e a desmembrou com machado, colocando os pedaços em um freezer, na própria casa.
Após a barbárie, preparou o terreno para receber Melissa.
Ao chegar e tocar a campainha, a menina foi convidada, pelo assassino a entrar. Ao deparar-se com ele, assustou-se. Pensou em fugir, mas percebeu que, se o tentasse, o assassino ficaria violento.

[VT da Chapeuzinho dando entrevista, chorando, na penumbra, visto que, na época, era uma criança: Ele me olhava estranho, fixo. Falava baixo... pegou o meu braço e foi me empurrando para o quarto. Eu tinha medo dos seus dentes...]

Repórter: no quarto, Lobo mandou que a menina se despisse e deitasse na cama com ele.

[VT da Chapeuzinho dando entrevista, chorando, na penumbra, visto que, na época, era uma criança: Eu não queria! Mas ele falava daquele jeito estranho e eu estava com muito medo! Perguntei pela minha avozinha... Ele respondeu: logo você estará com ela. Foi quando olhei e vi rastros de sangue no chão do quarto...]

Repórter: Assustada, a menina obedeceu. Ela ficou refém do monstro por quase seis horas quando um vizinho bateu à porta para chamar a avó. Vendo a oportunidade, Melissa gritou. Lobo bateu na menina, que desmaiou.
Ouvindo o barulho de dentro da casa, o vizinho, Nestor Silva, serralheiro, que havia sido chamado por D. Amanda para consertar uma mesa, decidiu arrombar a porta.

[VT do “lenhador” dando entrevista: escutei gritos infantis, choro e, depois, como se alguém estivesse apanhando. Não pensei duas vezes! Arrombei a porta e já vi o *%#@* tentando escapar! Corri e o enchi de tabefes! Depois que o imobilizei, liguei para a polícia. Foi a pior coisa que vi na vida: o sangue da avó... nem consegui olhar dentro do freezer. E a menininha no chão, toda machucada. Estava na cara que ele a tinha... maltratado... soluços doloridos]

2ª parte: a entrevista

Volta ao Ratinho: e hoje, com exclusividade, nós conseguimos fazer com que ele falasse! Com vocês, o Lobo!

Ratinho: Em primeiro lugar, quero tirar uma dúvida contigo, Lobo.

Lobo: Olá, Ratinho! Pois não ?

Ratinho: Você prefere que eu me refira à você como assassino ou pedófilo ?

Lobo: Que isso, Ratinho! Eu sou apenas um cidadão que cometeu um erro e que já pagou por ele...

Ratinho: Erro ? Você chama de “erro” o crime brutal que cometeu ?

Lobo: Sim. Eu não deveria ter feito, mas aconteceu...

Ratinho: Me responde uma coisa, como foi que você escolheu as vítimas ?

Lobo: Bom, por várias vezes notei a presença da menina ido à cada de sua Vovozinha. Ela passava por mim cheia de charme e inocência, aquilo me chamou atenção e me senti atraído por ela.

Ratinho: Com tantas mulheres no mundo, nas ruas, seja lá aonde for... Você se sentiu atraído justo por uma CRIANÇA ?!

Lobo: Então, Ratinho... Como te falei, ela possuía um charme e uma inocência que mexiam comigo e despertavam um desejo incontrolável. Não sei explicar bem...

Ratinho: E quanto ao assassinato cruel da Vovozinha ? O que te levou a fazer isso ?

Lobo: Eu fui à casa da Vovozinha me passando por fiscal de esgotos, me apresentei com um nome fictício, fui gentil e comecei a puxar conversa com ela. Perguntei sobre sua vida, família... Como quem nada queria. Quando entrei no assunto da neta, ela percebeu que havia algo errado. Ficou nervosa, histérica, começou a me acusar de algo que eu “ainda” não tinha feito!
Acusou-me de assediar sexualmente a Chapeuzinho. Fiquei cego, descontrolado, não medi forças, nem pensei em consequências, apenas a matei.

Ratinho: “Você me embrulha o estômago...” . Por acaso você se arrepende ?

Lobo: Me arrependo de ter ido à casa da Vovozinha. Se eu não tivesse ido, ela não teria provocado minha fúria e nada disso teria acontecido.

Ratinho: Então agora a culpa de você ser mau caráter, assassino e pedófilo é da pobre senhora que você matou ?

Lobo: De certa forma, sim! Se não fosse pelo ataque de histerismo, talvez ela estivesse viva...

Ratinho: O cinismo se aglomera em você... E quanto à Chapeuzinho?

Lobo: Nesse caso eu já não sei, pois gosto de satisfazer meus desejos... Não encaro como crime o que aconteceu entre nós. Foi um ato de amor!

Ratinho: Você a forçou! E ela era apenas uma criança! A sua cara de pau e frieza me dão ânsia de vômito! Você é um assassino, pedófilo e não deveria ter sido solto!

Lobo: (Risos) Não é pra tanto, Ratinho! Repito: já cumpri a minha pena e não devo mais nada à sociedade...

Ratinho: É nestas horas e situações que eu adoraria que, no Brasil, fossem aplicadas as penas de prisão perpétua ou a pena de morte! Para que sujeitos como você pagassem pelos seus atos da forma mais dolorida possível! Mas, infelizmente, aqui não é assim... Eu encerro a matéria desejando que você morra, seu monstro! E tudo o que foi feito com a Vovozinha e a netinha, aconteça com você, em dobro!

Vamos aos nossos comerciais...






Os Lusíadas:as grandes navegações

Postado por Kênia Pinheiro


Na Segunda Sequência Didática ministrada pela professora Cátia Martins, além do exame e produção de gêneros textuais diversificados - Carta, Debate, Fichamento, Resenha - foi-nos dado a oportunidade de análise do poema maior em língua portuguesa: Os Lusíadas, de Camões.


Estudando sua sonoridade, a beleza das palavras, a exatidão das estrofes oitavadas, foi-nos solicitado que fosse feita uma interpretação do Canto I do famoso poema:



Os Lusíadas - Canto I


1 - As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Vasco da Gama enumera os feitos dos heróis portugueses.

2 - E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Feitos dos heróis portugueses.

3 - Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Diz que os feitos dos portugueses suplantam aqueles feitos por outros heróis épicos.

4 - E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.
Pede auxílio e inspiração às entidades míticas para escrever o poema.

5 - Dai-me üa fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.
Deseja que o canto dos versos seja alto e alcance o maior numero de pessoas possíveis.

6 - E, vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Pera do mundo a Deus dar parte grande;
Dedicatória ao Rei, D. Sebastião. Homenagem e solicitação de fundos para a viagem.

7 - Vós, tenro e novo ramo florecente
De üa árvore, de Cristo mais amada
Que nenhüa nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele pera si na Cruz tomou);
Homenagens ao Rei

8 - Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro,
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando dece o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco Oriental e do Gentio
Que inda bebe o licor do santo Rio:
Exaltação à fé católica em detrimento das demais religiões citadas no trecho (Ismaelita: árabes – islamismo; Gentio: pessoa que não adota a fé cristã; Santo Rio: Ganges – hindus).


9 - Inclinei por um pouco a majestade
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.
Solicita ao rei um olhar benigno sobre os que sairão em viagem.

10 - Vereis amor da pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quási eterno;
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
Diz ao Rei que os feitos dos navegadores não esperam prêmio, e que ele terá seu nome tão engrandecido por eles que não saberá o que é melhor: ser o senhor do Mundo ou o Rei de Portugal.

11 - Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos, como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas
Que excedem as sonhadas, fabulosas,
Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro
E Orlando, inda que fora verdadeiro.
Diz que não haverá façanhas inventadas, como as de outros poetas épicos. As façanhas portuguesas serão verdadeiras.

12 - Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
A cítara par'eles só cobiço;
Pois polos Doze Pares dar-vos quero
Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;
Dou-vos também aquele ilustre Gama,
Que para si de Eneias toma a fama.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

13 - Pois se a troco de (Carlos, Rei de França,
Ou de César, quereis igual memória,
Vede o primeiro Afonso, cuja lança
Escura faz qualquer estranha glória;
E aquele que a seu Reino a segurança
Deixou, com a grande e próspera vitória;
Outro Joane, invicto cavaleiro;
O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

14 - Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que nos Reinos lá da Aurora
Se fizeram por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
Albuquerque terríbil, Castro forte,
E outros em quem poder não teve a morte.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

15 - E, enquanto eu estes canto - e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto - ,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que polo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras e do Oriente os mares.
Mostra ao Rei novos feitos gloriosos do povo Português.

16 - Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver, o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
Tétis todo o cerúleo senhorio
Tem pera vós por dote aparelhado,
Que, afeiçoada ao gesto belo e tento,
Deseja de comprar-vos pera genro.
Homenagens ao Rei.

17 - Em vós se vêm, da Olímpica morada,
Dos dous avós as almas cá famosas;
üa, na paz angélica dourada,
Outra, pelas batalhas sanguinosas.
Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos têm lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.
Homenagens ao Rei.



sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de junho - Dia da Língua Portuguesa/Dia de Camões



Retrato de Camões por Fernão Gomes

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER
LUIS VAZ DE CAMÕES


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?





Postado por Luiz Penha

domingo, 5 de junho de 2011

Incentivo à leitura na escola: histórias inspiradoras

*Postado por Kênia Pinheiro


Reportagem de Marina Vidigal


Se leitura vem bem próximo à palavra “inspiração”, conheça aqui atividades de algumas escolas que vão, sim, estimular educadores mas também todos os nós no incentivo à leitura.
Podem copiar à vontade! E, se você tiver alguma história parecida para nos contar, aproveitem nosso espaço abaixo.

Livro-presente
No Colégio Cenecista Elias Moreira, em Joinville (SC), professores de crianças de 4 e 5 anos de idade pedem aos pais, no início do ano, uma quantia em dinheiro equivalente ao valor de um livro. No aniversário de cada criança da sala, então, presenteiam-na com um livro acompanhado de dedicatória feita por toda a turma.

Personagem amigo
Eleger um personagem como “amigo da turma”, para que vire tema de sala é outra iniciativa positiva praticada pelo Colégio Cenecista Elias Moreira. Histórias do personagem amigo são lidas, as crianças criam outras (em texto coletivo), vêm filme do personagem, discutem ilustrações que o caracterizam e criam quadrinhas para ele, de modo que se perceba a importância da pesquisa e do aprofundamento das leituras.
Produção de livros Que tal as próprias crianças produzirem livros ao longo da vida escolar? Na escola Grão de Chão, os grupos produzem um diário de sala a cada ano, contando a sua história. Eles ainda fazem livros que sintetizam e registram projetos de trabalhos (dinossauros, casas, abelhas etc.) e têm a chance de produzir livros de reconto e criação de histórias.

O Prêmio: Vivaleitura!
O Prêmio Vivaleitura acontece desde 2006 para promover e divulgar nos mais variados cantos do Brasil. Abaixo, você encontra projetos relacionados à leitura em creches e escolas, que foram finalistas nos anos dos prêmios de 2006 ou 2007.
Um berçário cheio de livros Os bebês do Berçário Municipal Mãe Cristina, de Marília (SP), estão aprendendo a amar a leitura. Dos clássicos da literatura infantil, como Branca de Neve, Pinóquio e a Bela e a Fera, às fábulas e histórias do folclore brasileiro, como O Boto Cor-de-rosa e o Negrinho do Pastoreio, os livros da escola são lidos para os bebês e também manuseados por eles.

A lição de casa é distribuída toda sexta-feira, na hora da saída, para os pais, um contingente de diaristas, comerciários, secretárias, vigias, operários e estudantes. Cada família recebe um livro da biblioteca da escola, que deve ser lido para os filhos durante o fim de semana e devolvido na segunda, com um relato da reação dos bebês.

Batizado de Meu Broto de Leitura... Leitura de Histórias, Contos, Poesias... Para Bebês, o projeto foi idealizado pela professora Creuza Prates Galindo Soares. Muitas vezes, os próprios pais são apresentados aos livros por causa do programa. Além disso, o Meu Broto de Leitura fortalece os vínculos entre os bebês e os pais e também aproxima a família da escola.

Rimas com a Literatura de Cordel
O projeto vencedor na categoria Escolas Públicas ou Privadas, Cordel: rimas que encantam, nasceu da necessidade de conhecer o repertório dos alunos da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, localizada em São Gonçalo do Amarante (zona rural do Ceará), para entender a melhor maneira de estimulá-los no processo de aprendizagem.


Ao perceber a passividade e a desmotivação com que seus alunos encaravam o ato de ler, Francisca das Chagas Menezes Sousa, idealizadora do projeto, resolveu investigar os motivos de tamanho desencanto pela literatura. Descobriu que uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos estudantes era conciliar seu “falar cotidiano” com a “linguagem escolar”. Concluiu que os jovens simplesmente não compreendiam um texto normativo por ser muito diferente de sua realidade lingüística. A solução? O cordel. Francisca apostou em textos que apresentassem uma oralidade familiar, isto é, a linguagem popular dos cordelistas da região, para desenvolver nos alunos as habilidades de leitura e escrita. “Não existe pessoa desmotivada, mas leitura que não agrada”, acredita Francisca. “Temos simplesmente que descobrir que tipo de texto conquista cada indivíduo.”

Biblioteca no barco
Uma biblioteca dentro do barco que leva diariamente os alunos para a escola, com acervo formado por doações. Foi assim que um mero meio de transporte se transformou em fonte de estudos e informação. Com o nome de Biblioteca Espumas Flutuantes, o projeto, iniciativa da prefeitura de Angra dos Reis (RJ), foi um dos cinco selecionados como finalistas do Prêmio VIVALEITURA, na categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias.


A solução de incentivo à leitura funciona desde 1994 no barco Irmãos Unidos II, contratado pela prefeitura para levar diariamente crianças e jovens de praias da Baía da Ilha Grande para a Escola Municipal Silvestre Travassos, situada na Praia de Araçatiba. O barco sai do cais às 5h e chega à escola às 8h, depois de oito paradas. Na volta, deixa Araçatiba às 14h e ancora no cais ao entardecer. Durante as duas viagens, cerca de 100 alunos, monitorados por dois professores, podem fazer pesquisas escolares, empréstimos ou leitura livre.

Estudantes gravam livros falados para deficientes visuais
A descoberta da solidariedade a partir da tomada de consciência das diversas carências humanas. Foi o que aconteceu com os 46 alunos da 7º série de 2007 da escola particular Palmares, em Curitiba, Paraná.


A partir de uma série de reflexões feitas em sala de aula junto com a professora, eles foram para a ação. Instigados pela mestra, foram visitar a biblioteca pública do Paraná para conhecer o acervo público de livro falado, visitado no ano anterior. O responsável pelo setor, um deficiente visual, contou os meandros de produção deste acervo e suas principais carências. A artificialidade das narrações feitas por meio do computador, com voz sintetizada e a falta de voluntários para a gravação da leitura das obras, sensibilizou os alunos. “Meus alunos ficaram impressionados com a frieza dessa voz e pediram para ouvir um livro que tivesse sido gravado por voz humana”, afirma Vanessa Lopes Ribeiro, a professora de Português da turma, que havia iniciado um trabalho de gravações de livros com os estudantes da mesma série em 2006. O trabalho foi iniciado com ênfase em livros infanto-juvenis, os mais requisitados pelas bibliotecas do interior do Estado. Cada aluno escolheu dois livros, um para ser gravado na escola e outro em casa. Com isso, o número de livros falados do acervo da seção de braille da Biblioteca Pública do Paraná teve um incremento considerável.
Os gibis como iniciação à leitura Utilizar o gibi como forma de iniciação à leitura. Essa foi a forma encontrada por três professores da rede municipal na cidade de Pompéia, localizada na região centro-oeste do Estado de São Paulo.

É o projeto Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos, que busca desenvolver nas crianças e nos pais o hábito e o gosto pela leitura, formando leitores por meio de momentos prazerosos de leitura nas unidades educacionais. Os quadrinhos mais utilizados são os da Turma da Mônica e os do Menino Maluquinho.

O projeto envolve diretamente 60 alunos da pré-escola e foi criado pelos professores Marcelo Campos Pereira, Rita de Cássia Souza Ribeiro Silva e Vilma Maria do Nascimento Vicentin, da EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Sonho de Criança.

Para ampliar o número de gibis disponíveis para os alunos, uma campanha batizada de Aqueça o Nosso Prazer de Ler foi difundida na cidade. Os organizadores conseguiram arrecadar 300 gibis pelos nos mais variados locais da cidade, como bancos, lojas e ginásios de esporte.
Estava pronta a base da gibiteca de Pompéia, que inicialmente foi repartida entre três turmas da EMEI Sonho de Criança. Os alunos passaram retirar gibis e levar para a casa. O processo acabou por envolver de forma efetiva as famílias no projeto.


O passo mais importante foi levar os pequenos leitores e a gibiteca para outros lugares e contagiar outras crianças a desenvolverem o gosto e o prazer pela leitura. Foram criadas atrações à parte como o Trenzinho da Leitura, vagão que transporta as crianças caracterizadas de personagens da Turma da Mônica.

“Colocamos a gibiteca no trenzinho e saímos pela cidade visitando toda semana algumas unidades educacionais”, conta um dos mentores, Marcelo Campos Pereira. Segundo ele, essas ações, dentro e fora da unidade escolar, ajudaram a “semear” nas crianças o desejo pela leitura.

Postado por Kênia Pinheiro

Os melhores livros infantis - Segundo a revista Época

*Postado por Kênia Pinheiro


A diversidade crescente de títulos nas prateleiras é uma ótima notícia para as crianças. Selecionamos alguns dos mais eficazes para estimular bons hábitos de leitura
Cristiane Rogerio e Marina Vidigal, da Crescer. Com Marcela Buscato
O paulistano André Fernandes Louro, de 2 anos, já é um jovem leitor. Ele tem uma estante de livros no quarto que fica bem na sua altura. Todas as noites, vai até ela, escolhe um livro e leva para a mãe ler. Durante o dia, conta suas histórias preferidas à irmã mais nova, de 1 ano. “Ele vira página por página e conta o que vê nas figuras”, diz a mãe, Renata Romaguera Louro. Pais e mães como Renata enfrentam um bom desafio na hora de estimular a leitura dos filhos: está cada vez mais difícil escolher livros para crianças.
E esta não é uma má notícia: há tanta oferta no mercado e tanta variedade de estilos, temas e formatos que não basta apenas entrar em uma livraria e procurar as prateleiras dos infantis.
Os títulos infantis já representam 35% do mercado total de livros. Com tanta opção, é preciso prestar atenção em uma série de detalhes, que vão do autor ao material da capa. Para ajudar nesse desafio, a edição de junho da revista Crescer, da Editora Globo, publica uma seleção com os melhores livros infantis do ano.
São 30 obras escolhidas a partir da opinião de 41 especialistas, como a educadora Maria José Nóbrega e o crítico em literatura infantil Peter O’Sagae. Cada um deles enviou uma lista com 15 livros lançados em 2010, com opções para crianças até 8 anos. São histórias boas de ouvir e contar, livros só com imagens e referências a vários cantos do mundo. Essas obras não são apenas para criança. Elas agradam a leitores de qualquer idade, cada um com seu estilo de leitura. Eis alguns exemplos:

QUEM QUER ESTE RINOCERONTE? de Shel Silverstein Ed. Cosac Naify, R$ 39.
Um menino pergunta quem quer um rinoceronte e, a cada página, enumera várias de suas utilidades. No final, revela suas maiores qualidades: o animal é um grande amigo, companheiro e muito fácil de se amar. Há o nonsense na medida de Silverstein, quando o menino diz adorar usar o animal como abajur e brincar de tubarão. O texto é formado por rimas e frases curtas e, em todas as páginas, há desenhos em preto e branco feitos pelo autor. Os leitores podem identificar intensos sentimentos de amor e amizade. > A PARTIR DE 5 ANOS.


CLARA de Ilan Brenman e ilustrações de Silvana Rando Ed. Brinque-Book, R$ 26,50.
Assobiar como o tio, dançar como o avô e mergulhar na piscina como o irmão são algumas das coisas que Clara quer fazer quando ficar maior. O livro expressa o desejo das crianças de crescer e mostra como os mais velhos, em atitudes cotidianas e despretensiosas, tornam-se referências no universo infantil. Aos pais, revela a importância de dar bons exemplos, mas de um jeito divertido. O melhor: neste mês, chega às livrarias Gabriel, o irmão de Clara.
> A PARTIR DE 4 ANOS.


 MENINA DAS ESTRELAS de Ziraldo Ed. Melhoramentos, R$ 59.
Ziraldo traça um perfil das meninas, abordando a infância e a passagem para a adolescência. O heroísmo dos pais, a cumplicidade entre amigas, o interesse pelos meninos, nada passa batido aos olhos deste mestre da compreensão e síntese do universo infantil. As ilustrações, do autor, são bastante expressivas e enriquecem as caracterizações. Para meninas compreenderem melhor seu universo. Ele vem numa lata e acompanha uma camiseta.
> A PARTIR DE 6 ANOS.


Para o arte-educador Mauricio Leite, criador do Projeto Mala de Leitura (dedicado a levar livros e histórias para crianças de aldeias remotas em países de língua portuguesa) os pais devem, em casa, se esforçar para formar filhos leitores – e não simplesmente delegar à escola essa responsabilidade. “A criança e o jovem passam mais tempo em casa, nas férias, fim de semana e nos horários que não são das aulas”.
Existe um ingrediente importante nesta empreitada: seja qual for a iniciativa em casa, tem de ser de um jeito muito leve. Tem que inspirar o prazer.


Leia sempre para seus filhos Leia em casa para seus filhos, sejam eles pequenos ou já alfabetizados. “Crianças grandes” também gostam de ouvir histórias, e é um erro os pais pararem de ler para seus filhos! Que tal procurar uma contação de histórias para adultos e se deleitar?

Dê o exemplo
A família tem papel fundamental na formação de leitores. “Quando a leitura é um valor para a família, quando as crianças vêem seus pais, avós, tios, lendo, vêem livros pela casa, são levadas a livrarias e outros espaços culturais em que o livro está presente, é bem provável que se interesse por aquilo que é tão importante para pessoas tão próximas”, afirma Mara Dias, professora de língua portuguesa da rede particular de ensino e colaboradora do site
www.nucleodeliteraturainfantil.com.br .

Respeite os gostos literários da criança
É bom os pais se inteirarem das leituras dos filhos, mas, mesmo que julguem um livro de baixa qualidade literária, eles jamais devem vetá-lo (a não ser a obra que seja inadequada à faixa etária e possa causar algum prejuízo à criança). O gosto por um livro, autor ou gênero deve ser respeitado e encarado como um instrumento de aproximação com a literatura. Uma criança que se identifica com um gênero literário, seja ele qual for, já tem portas abertas para a leitura. A diversificação de autores e estilos tende a acontecer com o tempo, junto com sua evolução pessoal.
Pais inquietos com as escolhas literárias dos filhos devem evitar críticas e, em conversas, procurar entender por que eles parecem tão interessantes para as crianças. A fim de instigar a curiosidade delas por outras leituras, uma dica é levá-las a livrarias, apresentar-lhes outros títulos e lhes contar sobre emoções que vocês, pais, tiveram na infância ao ler determinadas obras.

Tenha sempre um livro à mão
Do mesmo jeito que você leva um casaco para seu filho por precaução, leve também um livro, onde quer que você vá. Deixe o livro pertencer à sua rotina familiar e mostre a seu filho a facilidade com que o tempo ocioso pode ser transformado em um prazeroso momento de leitura.


Postado por Kênia Pinheiro