terça-feira, 26 de abril de 2011

Despedida do TREMA






É UMA TREMENDA AULA DE CRIATIVIDADE E BOM HUMOR, COM ACENTUADA INTELIGêNCIA.

Despedida do TREMA
Estou indo embora. Não há mais lugar para mim.
Eu sou o trema.
Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu
estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüiféros, nas lingüiças e
seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e
eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário.
Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas
grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio...
A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela.
Os dois pontos disseram que  sou um preguiçoso que trabalha deitado
enquanto eles ficam em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C bobão que fica se
passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra.
E também tem aquele obeso do O  e o anoréxico do I. Desesperado,
tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico
de reticências, mas ele se negou, sempre encerrando logo todas as
discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por
aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são
os estrangeiros, é o K, o W "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade
nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de
argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá
conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de
medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto
durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês
sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nos vemos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na
história.
Adeus,
Trema.
Postado por Luiz Penha

Gimme a Break, nobre Deputado!


*Postado por Kênia Pinheiro


Por dois votos (26 a 24), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na terça-feira uma lei que proíbe o uso de palavras estrangeiras. Trata-se de uma versão regional da mesma ideia torta que, em nível nacional, fez o projeto Aldo Rabelo despertar marolas alguns anos atrás. O deputado gaúcho Raul Carrion, autor do projeto, compartilha com Rabelo não apenas a sigla partidária, PC do B, mas também uma peculiar mistura de demagogia e ignorância sobre o funcionamento das línguas.
A demagogia vem do apelo fácil aos brios nacionalistas de uma grande parte da população, que não tem por que aprovar o uso indiscrimado de jequices linguísticas como sale nas vitrines de lojas em liquidação ou vanilla nas embalagens de sorvete de creme.
A ignorância linguística fica atestada no momento em que se acredita – ou se finge acreditar – que uma lei possa dar jeito nisso. Que o Estado se meta a regulamentar a ortografia, como ocorre no Brasil, pode-se contestar, mas vá lá: ortografia é verniz, a parte mais superficial de um idioma. Mas o vocabulário?
Não é tudo. Ainda que fosse possível controlar a língua a canetadas, isso estaria longe de ser desejável. Ou será que, junto com os anglicismos recentes e tolinhos que julga “desnecessários”, o legislador pretende abolir também o habeas corpus, o sushi, a Cuba Libre, o scarpin, o sabor tutti-frutti, enfim, o Zeitgeist inteiro? E o que fazer com as incontáveis palavras estrangeiras que se disfarçaram de nativas, como futebol, abajur, vitrine, xampu, uísque, quibe e espaguete, para citar uma fração ínfima delas?
Se somos um povo culturalmente deslumbrado com o que vem de fora – dos Estados Unidos, melhor dizer logo –, isso tem apenas um remédio: educação, educação, educação. Em doses diárias e maciças. Mas pode ser que esse tratamento nossos ilustres representantes tenham medo de aplicar, pois acabaria por nos curar deles também.


Sérgio Rodrigues, Jornalista e Crítico Literário


http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/cronica/gimme-a-break-nobre-deputado/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+SobrePalavras+%28Sobre+Palavras%29


Postado por Kênia Pinheiro

Brasília 51 anos

Parabéns à cidade mais linda do Brasil!!!!

Postado por Kênia Pinheiro

terça-feira, 19 de abril de 2011

E-mail para a professora Lucília Garcez

Ana Paula Lima
 para luciliagarcez, catia.martins

Prezada Professora Lucília Garcez,


Tive a feliz oportunidade de ler em minha aula de Língua Portuguesa o capítulo 1 (os mitos que cercam o ato de escrever) de seu livro - Técnica de Redação: o que é preciso saber para bem escrever. Primeiramente gostaria de agradecê-la pelos pertinentes esclarecimentos. Muitos dos mitos citados, se não todos, fazem parte da realidade atual dos estudantes. Com certeza, seu texto incentivou-me a buscar novas técnicas, novos processos e, principalmente, ter uma nova visão no que diz respeito ao ato de escrever.


Atenciosamente,


Ana Paula Lima
Aluna do curso de Letras / UNICEUB

Lucilia para mim


Ana Paula,
pela sua mensagem vejo que você escreve muito bem. Espero que mesmo assim meu livro seja útil.
Abraços
Lucília
 

Ana Paula


Escolhi o curso de Letras porque sempre gostei de Português e de Literatura. Ao analisar a grade curricular do curso, percebi que seriam matérias prazerosas de serem estudadas. Pretendo futuramente ministrar aulas e ser uma boa profissional.

domingo, 17 de abril de 2011

Descobertas cartas inéditas do poeta Walt Whitman


Walt Whitman

http://www.publico.pt/Cultura/descobertas-cartas-ineditas-do-poeta-walt-whitman_1490006

Milagres

Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa de especial?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres:
ou ande eu pelas ruas de Manhattan,
ou erga a vista sobre os telhados
na direcção do céu,
ou pise com os pés descalços
bem na franja das águas pela praia,
ou fale durante o dia com uma pessoa a quem amo,
ou vá de noite para a cama com uma pessoa a quem
                                                                                     /amo,
ou à mesa tome assento para jantar com os outros,
ou olhe os desconhecidos na carruagem
de frente para mim,
ou siga as abelhas atarefadas
junto à colmeia antes do meio-dia de verão
ou animais pastando na campina
ou passarinhos ou a maravilha dos insectos no ar,
ou a maravilha de um pôr-de-sol
ou das estrelas cintilando tão quietas e brilhantes,
ou o estranho contorno delicado e leve
da lua nova na primavera,
essas e outras coisas, uma e todas
— para mim são milagres,
umas ligadas às outras
ainda que cada uma bem distinta
e no seu próprio lugar.

Cada momento de luz ou de treva
é para mim um milagre,
milagre cada polegada cúbica de espaço,
cada metro quadrado da superfície da terra
por milagre se estende, cada pé
do interior está apinhado de milagres.

O mar é para mim um milagre sem fim:
os peixes nadando, as pedras,
o movimento das ondas,
os navios que vão com homens dentro
— existirão milagres mais estranhos?

Walt Whitman, in "Leaves of Grass"

http://www.citador.pt/poemas.php?op=10&refid=200810270910

Postado por Luiz Penha

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sérgio Rodrigues - Sobre palavras

*Postado por Kênia Pinheiro

No ótimo Blog "Sobre Palavras" do escritor, jornalista e crítico literário brasileiro, Sérgio Rodrigues, publicado no site da Revista Veja (http://veja.abril.com.br/), tenho buscado resposta a várias dúvidas que permeiama  nossa Gramática Normativa em Língua Portuguesa.
Além de respostas aos leitores, o jornalista esclarece questões sobre semântica, etimologia (adoro!) e assuntos de atualidade ligados à Língua pátria.
Tomo a liberdade para reproduzir, integralmente, um dos últimos posts do brilhante crítico no blog "Sobre palavras" e, além de recomendar a leitura deste blog, também indicar a leitura do outro blog do escritor, sobre Literatura "Todo Prosa" (http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/)

"
“Em ‘vendem-se casas’, o termo ‘casas’ é o sujeito da oração. Mas outro dia li em uma apostila o seguinte: ‘Tal explicação da gramática normativa sobre a voz passiva sintética e a classificação do sujeito nesse tipo de frase tem sido criticada por muitos linguistas. Sendo, porém, regra gramatical cobrada em vestibulares, optamos por trabalhá-la na forma tradicional.’ Gostaria de saber qual é a crítica. Obrigada.” Andréa Stancius Lima
A crítica, Andréa, é simples: a interpretação de “vendem-se casas” como uma frase que se encontra na voz passiva sintética, à qual corresponderia “casas são vendidas” na voz passiva analítica, é denunciada por muitos linguistas como um exemplo claro de arbitrariedade – ou aversão ao método científico de compreender a língua – da gramática normativa.
Sustentam eles que faz mais sentido interpretar o “se”, nesse caso, como índice de indeterminação do sujeito. E argumentam que em “precisa-se de vendedores” o “se” é precisamente isso, como a própria gramática normativa admite: o verbo transitivo indireto não permite que se imagine um absurdo “vendedores são precisados”, certo? No entanto, a ideia é a mesma em “precisa-se” e “vende-se”, ou seja, alguém precisa, alguém vende!
Fica assim explícito o caráter arbitrário de uma análise que, diante de construções tão evidentemente semelhantes como “vende-se casas” e “precisa-se de vendedores”, aplica a cada uma um critério diferente – “casas” vira sujeito, mas “vendedores” é objeto indireto – e decreta que apenas a segunda está correta.
O linguista Marcos Bagno, um dos mais combativos do país na denúncia desse tipo de regra gratuita, chama uma frase como “vendem-se casas” de “pseudopassiva sintética”. Mas é interessante notar que até um gramático tradicional como Evanildo Bechara, filólogo de plantão da Academia Brasileira de Letras, aceita a tese do “se” como índice de indeterminação em sua “Moderna gramática portuguesa”:
…o ‘se’ como índice de indeterminação do sujeito – primitivamente exclusivo em combinação com verbos não acompanhados de objeto direto –, estendeu seu papel aos transitivos diretos (onde a interpretação passiva passa a ter uma interpretação impesssoal: ‘Vendem-se casas’ = ‘alguém tem casa para vender’) … A passagem deste emprego da passiva à indeterminação levou o falante a não mais fazer concordância, pois o que era sujeito passou a ser entendido como objeto direto…
Bechara conclui o raciocínio dizendo que “vende-se casas” é uma frase “de emprego ainda antiliterário, apesar da já multiplicidade de exemplos” (grifo meu), mas reconhece que “ambas as sintaxes são corretas”.
Essa questão do “emprego ainda antiliterário” de “vende-se casas” merece ser desdobrada: acredito que Bechara quis alertar o leitor de sua gramática para o risco de usar tal construção em textos formais – entre eles, naturalmente, provas. A correlação de forças está mudando, mas, qualquer que seja o veredito de um filólogo da estatura de Bechara (“ambas as sintaxes são corretas”), ainda há lá fora um exército de professores, chefes e revisores dispostos a passar a caneta vermelha na frase.
Trata-se de uma cautela que também recomendo – o que, naturalmente, não impede ninguém de compreender a crítica que os linguistas fazem à gramática tradicional, e que neste caso me parece cheia de razão. De resto, o que vejo no campo “literário” é justamente a tendência de acatar cada vez mais a interpretação do “se” como índice de indeterminação do sujeito em construções como “vende-se casas”. Millôr Fernandes uma vez me repreendeu por não escrever assim. “Simplifiquei”, disse.
Se já ganha há algum tempo tal tipo de sanção culta, podemos ter certeza de que um uso como esse não demorará a ser pacífico. Mas cuidado com as provas!"

" 'Vende-se casas?' ou 'Vendem-se casas?'". Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/%e2%80%98vende-se-casas%e2%80%99-ou-%e2%80%98vendem-se-casas%e2%80%99/. Acessado em 15/4/2011.

Postado por Kênia Pinheiro