sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fichamento do Debate sobre a Carta a El Rey Dom Manuel, de Pero Vaz de Caminha -http://vimeo.com/17916811

Trabalho apresentado na disciplicina Língua Portuguesa, ministrada pela profa. Cátia Martins.



O caráter literário da Carta apresentados pela Profa. Drª Maria do Carmo Campos (Letras/UFRGS) no programa Direito e Literatura, transmitido no dia 30/05/2010.

- Professora - Documento de grande importância escrito pelo escrivão da armada e dirigida ao Rei Dom Manuel, datado de 1500, que trata da descrição do Brasil;
- Carta, gênero utilizado para esse tipo de situação;
- Pero Vaz é o primeiro que faz esse registro com o olhar de viajante;
- Necessidade de rediscussão por tudo que representou, por tudo que gerou;
- Registro de que não havia hierarquia na terra achada;
- Um dos motivos da constância do documento é a beleza da sua linguagem literária;
- Imagem paradisíaca do Brasil retratada na indumentária, costumes, cordialidade, não violência identificada naquele primeiro momento;
- É um documento gerador. Permite vários ângulos de visão;
- Muitas linhas geradas a partir da 1ª Carta;
- A Carta gerou outras produções, obras com visão edênica do Brasil, como “Visão do Paraíso” de Sérgio Buarque de Holanda;
- A pintura de Vitor Meireles, séc. XIX, uma visão harmônica da primeira missa;
- Pintura de Portinari, 1948, quebra a visão edénica e hierarquiza, geometriza a visão da 1ª Missa;
- O cinema de Humberto Mauro sobre o descobrimento do Brasil;
- O lado simbólico e identitário está evidenciado em toda o texto da Carta e se desdobra ao longo da literatura brasileira e no cinema, e gera o tipo de espírito que compara o aqui com o lá;
- A partir daí são geradas uma série de questões na literatura, como “Canções do Exílio” com comparações constantes do Brasil com outro lugar. Até a emancipação do Brasil, que aos poucos vai se libertando da comparação;
- Intervenção do mediador Leno Streck – Certo prenúncio de como será o Brasil no sentido extrativista; aquele olhar de cobiça, de retirar. A prática de uma política de predação do Estado e descuido com o meio ambiente;
- Professora - O Brasil durante muito tempo foi pintado de fora para dentro. Há um momento em que esses dois olhares vão dialogar de uma maneira mais precisa;
- Existia todo um controle não só sobre o Brasil, mas também sobre o que o Brasil pudesse gerar em produção de idéias e produção econômica;
- Intervenção do mediador Leno Streck – Questionamentos externos sobre o Brasil de hoje e do Brasil do descobrimento com a presença de selvagens e animais nas ruas;
- Intervenção do mediador Leno Streck – Existência de um sentimento cartorial no Brasil, a partir da Carta, qualquer certidão no Brasil iniciava com o seguinte texto: “Saibam todos quantos esse documento virem que no ano da graça do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo...”;
- Professora - Esse estilo se estende por 400 anos; a comprovação do visto, do observado passa sempre a um terceiro, também presente na obra de Machado de Assis, como no Alienista, em que o que é narrado é atribuído a cronistas;
- A Literatura tem uma série de realizações que podem entrar em diálogo com o Direito, como em Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos, que tem quase uma criminologia lá dentro, onde são registradas cenas de tortura a presos políticos. Pela linguagem, pela liberdade usufruída pelo escritor, fazendo uso da memória, do desejo, da prospecção, é possível ter essa captação da história na sua profundidade para realizar o diálogo entre a Literatura e o Direito.


O caráter jurídico da Carta apresentado pelo Prof. Dr. Wálber Araújo Carneiro (Direito/Unifacs) no programa Direito e Literatura, transmitido no dia 30/05/2010.

- Professor - Ato fundacional, Certidão de Nascimento, lavrada nos cartórios portugueses, com a fé pública de Pero Vaz de Caminha;
- Documento jurídico que serve como prova do achamento do Brasil;
- Tem reflexo jurídico por força do Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal;
- A Carta conta que tipo de Estado e que tipo de constituição esse Estado vai ter, a partir da narrativa literária;
- É Direito enquanto prova. Certidão de Nascimento do ato fundacional do Estado;
- Permite refletir sobre a relação entre narrativa jurídica e narrativa literária;
- A Carta prova da existência de uma terra abaixo da linha do Equador, de propriedade de Portugal, na visão européia;
- Mesmo distante 500 anos, é possível perceber, a partir da narrativa literária, cronologicamente, um ato fundacional de um Estado onde se nomeia esse Estado e se estabelece um regime de propriedade desse Estado, a relação Estado/Igreja, relação imanente entre poder laico e poder da igreja católica;
- Riquezas da terra na mão do Estado;
- Regime de apartheid entre portugueses-europeus e os brasileiros-nativos;
- Inexistência de garantias fundamentais e o problema do degredado;
- Carta publicada quando a modernidade já tinha sido colocada em prática com a existência da imprensa;
- Intervenção do mediador Leno Streck – cita a noção sólida de Estado a partir de Thomas Hobbes, que surge posteriormente;
- Professor - Influência teológica e da Escolástica presente na Carta e no modelo de Estado;
- Curiosidade dos nativos em perceber as ferramentas que serravam a cruz, em vez de ficarem curiosos pela visão da própria cruz;
- A Carta é uma marca da burocracia portuguesa que impera até hoje no Brasil;
- A Carta marca essa relação da presença forte do Estado e da concepção extrativista;
- Há uma ordem econômica na constituição; essa ordem é pautada na extração das riquezas da terra;
- A Carta tem uma motivação também bem pessoal, para fazer com que o Rei traga de volta o genro de Pero Vaz de Caminha, que havia sido degredado;
- Intervenção do mediador Leno Streck – É normal no Brasil, o apadrinhamento, o nepotismo, a prestação de favores;
- Professor - Apesar de quinhentos anos separados desse Estado dominador, a presença da repressão policial na comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil;
- Intervenção do mediador Leno Streck – Muito dinheiro público gasto em uma nau que não boiou, para comemorar os 500 anos;
- Professor - Em se tratando do nepotismo, Pero Vaz de Caminha era um homem de confiança do Rei e que estava usando da sua influência para livrar a cara do genro, que havia cometido crimes à mão armada, extorsão;
- No Brasil de hoje ainda há um número volumoso de cargos comissionados. Mais de que nos Estados Unidos;
- Intervenção do mediador Leno Streck – A literatura pode contar coisas que talvez o Direito não consiga contar.

Postado por Luiz Penha

Canto Primeiro (1-17) de Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões


Trabalho apresentado na disciplicina Língua Portuguesa, ministrada pela profa. Cátia Martins.

Interpretação do Canto I dos Lusíadas

Os feitos dos navegadores
1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Exaltação aos Reis e conquistadores
2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Exaltação às conquistas tecnológicas portuguesas e à obediência dos Deuses
3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Invocação às Ninfas (Deusas) do Tejo
4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

Pedido de auxílio às entidades protetoras
5
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.
Dedicatória ao Rei Dom Sebastião
6
E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antígua liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;
7
Vós, tenro e novo ramo florescente
De uma árvore de Cristo mais amada
Que nenhuma nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada;
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas, e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou)
8
Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;
9
Inclinai por um pouco a majestade,
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.
Reconhecimento da nação aos feitos do Rei
10
Vereis amor da pátria, não movido
De prêmio vil, mas alto e quase eterno:
Que não é prêmio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor suprerno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de til gente.
Exaltação aos grandes feitos portugueses
11
Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos, como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas,
Que excedem as sonhadas, fabulosas;
Que excedem Rodamonte, e o vão Rugeiro,
E Orlando, inda que fora verdadeiro,


12
Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei o ao Reino tal serviço,
Um Egas, e um D. Fuas, que de Homero
A cítara para eles só cobiço.
Pois pelos doze Pares dar-vos quero
Os doze de Inglaterra, e o seu Magriço;
Dou-vos também aquele ilustre Gama,
Que para si de Eneias toma a fama.
13
Pois se a troco de Carlos, Rei de França,
Ou de César, quereis igual memória,
Vede o primeiro Afonso, cuja lança
Escura faz qualquer estranha glória;
E aquele que a seu Reino a segurança
Deixou com a grande e próspera vitória;
Outro Joane, invicto cavaleiro,
O quarto e quinto Afonsos, e o terceiro.
14
Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que nos Reinos lá da Aurora
Fizeram, só por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo, e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora;
Albuquerque terríbil, Castro forte,
E outros em quem poder não teve a morte.
Incitação a Dom Sebastião para Novos Feitos Gloriosos
15
E enquanto eu estes canto, e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que pelo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras, e do Oriente os marços,


16
Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
Tethys todo o cerúleo senhorio
Tem para vós por dote aparelhado;
Que afeiçoada ao gesto belo e tenro,
Deseja de comprar-vos para genro.
17
Em vós se vêm da olímpica morada
Dos dois avós as almas cá famosas,
Uma na paz angélica dourada,
Outra pelas batalhas sanguinosas;
Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos tem lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.

Postado por Luiz Penha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Contos Maravilhosos - Chapeuzinho Vermelho

*Postado por Kênia Pinheiro

"Alguns encaram os contos de fada como uma das variações dos contos populares ou fábula, e não como um gênero exclusivo, mas é fato que todos eles partilham de pontos em comum. São narrativas curtas, transmitidas oralmente de gerações em gerações, onde um herói ou uma heroína tem de passar por diversos obstáculos antes de se sobressair sobre o mal. São histórias nas quais inevitavelmente sempre ocorrem magias e metamorfoses, e apesar do nome, nem sempre as fadas aparecem nessas aventuras. A palavra “fada” vem do latim FATUM – Destino, fatalidade, fado, etc. O termo se reflete nos mais diversos idiomas: FÉE em francês, FAIRY em inglês, FATA em italiano, FEE em alemão e HADA em espanhol. São exemplos de contos de fadas “Branca de Neve e os Sete Anões”, “A Bela e a Fera”, “Rumpelstiltskin”, dentre muitos outros."

Com a introdução retirada do blog "A Floresta Negra" (http://aflorestanegra.blogspot.com/2009/08/em-construcao.html), a professora Cátia Martins apresentou à turma a Sequência Didática nº 3, propondo uma visão mais apurada acerca da psicologia que cerca os "contos de fada" ou "contos maravilhosos".

Após a análise das características intrínsecas que todos os contos dessa espécie contêm, foram desmistificadas muitas crenças que rondam essas espécies de narrativas. A principal, que seriam formas de passar conselhos às crianças, veio a chão após a descoberta de que se tratavam de histórias contadas no contexto europeu do século XII, nascidas da tradição oral de camponeses em narrar histórias assustadoras, costumeiras em suas regiões. Com o tempo, essas histórias foram amenizadas e "formatadas" para um padrão mais lúdico, tendo seu coroamento com os contos retratados na versão Disney.

A proposta, então, foi a recontextualização de algum conto maravilhoso, transformando-o, do gênero textual a que pertence em outro texto, revendo suas condições de produção.

Eu, Kênia Pinheiro, e as colegas de classe Arlinda, Carine, Natália e Priscila, produzimos o texto que se segue:


Retextualização: Chapeuzinho Vermelho – Versão Lobo no Programa do Ratinho

1ª parte: apresentação da entrevista no Programam do Ratinho. Carlos Massa apresenta a entrevista e é exibida a reportagem:

Ratinho: temos uma entrevista exclusiva com o assassino/pedófilo que, na década de 70, chocou o país com um dos crimes mais odiosos cometidos no Brasil. Solta o vt...

Repórter: Depois de anos de silêncio, o assassino da vovó, como ficou conhecido, resolve falar. Condenado a 84 anos de prisão, pelos crimes de homicídio e estupro cometido contra uma menor, o Lobo cumpriu pena de 1972 a 2000, sendo solto após ter cumprido 1/3 da pena, beneficiado por uma brecha do sistema penal brasileiro. Depois de liberto, viveu totalmente recluso, em casa de parentes, no interior de Minas Gerais. Na época, o assassino/estuprador confesso não se deixou entrevistar e, nas raras vezes em que se manifestou, chocou o país com sua frieza e falta de arrependimento.

[Entra VT com imagens do Lobo sendo levado a julgamento, na década de 60. Ele sorri de forma descarada para as pessoas que tentam linchá-lo. É escoltado por policiais. Jornalistas gritando ao redor, tentando conseguir alguma declaração.
Pergunta de um repórter: Lobo, porque você cometeu um crime tão hediondo?
Resposta do Lobo, sorrindo: Elas pediram por isso...]

Repórter: em maio de 1971, Adolfo Ritlério, conhecido como Lobo, depois de um elaborado plano macabro, conseguiu atrair, para uma armadilha mortal, a senhora Amanda Souza, de 73 anos, e sua neta, de apenas 14 anos, Melissa Souza.
Depois das investigações policiais, foi verificado que o psicopata observava a rotina de Melissa, fato que pode ter ocorrido por meses. Acompanhando o itinerário da menina, descobriu o endereço da casa de sua avó, que ela visitava frequentemente. Num dos dias de visita, Lobo abordou a menina, começando assim, uma espécie de amizade.
Alto, forte, de boa aparência, bem vestido e muito articulado, o meliante que, na época, contava com 26 anos, não teve dificuldades em ganhar a simpatia da inocente menina.

[VT da mãe, aos prantos: Um dia, ao sair, eu a vi conversando com ele. Perguntei quem era. Ela disse que era só um amigo. Era uma menina muito inocente, bem criança ainda, apesar da idade. Não sei como pude deixar que aquilo acontecesse... choro convulsivo]

Repórter: No dia 3 de maio de 1973, Lobo resolveu pôr seu plano em ação: sabendo que Melissa iria à casa da avó, abordou-a, em frente à sua casa, falando-lhe que descobrira sobre um atalho para a casa da avó. O tal desvio, na verdade, era mais longo, o que daria tempo para que Lobo consumasse a armação. De carro, ele chegou antes à casa da senhora Amanda. Bateu à porta, identificando-se como um fiscal de esgotos. Assim que a senhora o deixou entrar, ele a rendeu.
Os eventos que se seguiram foram de total brutalidade... Após amarrá-la, Lobo a asfixiou com uma sacola plástica. Colocou o corpo numa banheira e a desmembrou com machado, colocando os pedaços em um freezer, na própria casa.
Após a barbárie, preparou o terreno para receber Melissa.
Ao chegar e tocar a campainha, a menina foi convidada, pelo assassino a entrar. Ao deparar-se com ele, assustou-se. Pensou em fugir, mas percebeu que, se o tentasse, o assassino ficaria violento.

[VT da Chapeuzinho dando entrevista, chorando, na penumbra, visto que, na época, era uma criança: Ele me olhava estranho, fixo. Falava baixo... pegou o meu braço e foi me empurrando para o quarto. Eu tinha medo dos seus dentes...]

Repórter: no quarto, Lobo mandou que a menina se despisse e deitasse na cama com ele.

[VT da Chapeuzinho dando entrevista, chorando, na penumbra, visto que, na época, era uma criança: Eu não queria! Mas ele falava daquele jeito estranho e eu estava com muito medo! Perguntei pela minha avozinha... Ele respondeu: logo você estará com ela. Foi quando olhei e vi rastros de sangue no chão do quarto...]

Repórter: Assustada, a menina obedeceu. Ela ficou refém do monstro por quase seis horas quando um vizinho bateu à porta para chamar a avó. Vendo a oportunidade, Melissa gritou. Lobo bateu na menina, que desmaiou.
Ouvindo o barulho de dentro da casa, o vizinho, Nestor Silva, serralheiro, que havia sido chamado por D. Amanda para consertar uma mesa, decidiu arrombar a porta.

[VT do “lenhador” dando entrevista: escutei gritos infantis, choro e, depois, como se alguém estivesse apanhando. Não pensei duas vezes! Arrombei a porta e já vi o *%#@* tentando escapar! Corri e o enchi de tabefes! Depois que o imobilizei, liguei para a polícia. Foi a pior coisa que vi na vida: o sangue da avó... nem consegui olhar dentro do freezer. E a menininha no chão, toda machucada. Estava na cara que ele a tinha... maltratado... soluços doloridos]

2ª parte: a entrevista

Volta ao Ratinho: e hoje, com exclusividade, nós conseguimos fazer com que ele falasse! Com vocês, o Lobo!

Ratinho: Em primeiro lugar, quero tirar uma dúvida contigo, Lobo.

Lobo: Olá, Ratinho! Pois não ?

Ratinho: Você prefere que eu me refira à você como assassino ou pedófilo ?

Lobo: Que isso, Ratinho! Eu sou apenas um cidadão que cometeu um erro e que já pagou por ele...

Ratinho: Erro ? Você chama de “erro” o crime brutal que cometeu ?

Lobo: Sim. Eu não deveria ter feito, mas aconteceu...

Ratinho: Me responde uma coisa, como foi que você escolheu as vítimas ?

Lobo: Bom, por várias vezes notei a presença da menina ido à cada de sua Vovozinha. Ela passava por mim cheia de charme e inocência, aquilo me chamou atenção e me senti atraído por ela.

Ratinho: Com tantas mulheres no mundo, nas ruas, seja lá aonde for... Você se sentiu atraído justo por uma CRIANÇA ?!

Lobo: Então, Ratinho... Como te falei, ela possuía um charme e uma inocência que mexiam comigo e despertavam um desejo incontrolável. Não sei explicar bem...

Ratinho: E quanto ao assassinato cruel da Vovozinha ? O que te levou a fazer isso ?

Lobo: Eu fui à casa da Vovozinha me passando por fiscal de esgotos, me apresentei com um nome fictício, fui gentil e comecei a puxar conversa com ela. Perguntei sobre sua vida, família... Como quem nada queria. Quando entrei no assunto da neta, ela percebeu que havia algo errado. Ficou nervosa, histérica, começou a me acusar de algo que eu “ainda” não tinha feito!
Acusou-me de assediar sexualmente a Chapeuzinho. Fiquei cego, descontrolado, não medi forças, nem pensei em consequências, apenas a matei.

Ratinho: “Você me embrulha o estômago...” . Por acaso você se arrepende ?

Lobo: Me arrependo de ter ido à casa da Vovozinha. Se eu não tivesse ido, ela não teria provocado minha fúria e nada disso teria acontecido.

Ratinho: Então agora a culpa de você ser mau caráter, assassino e pedófilo é da pobre senhora que você matou ?

Lobo: De certa forma, sim! Se não fosse pelo ataque de histerismo, talvez ela estivesse viva...

Ratinho: O cinismo se aglomera em você... E quanto à Chapeuzinho?

Lobo: Nesse caso eu já não sei, pois gosto de satisfazer meus desejos... Não encaro como crime o que aconteceu entre nós. Foi um ato de amor!

Ratinho: Você a forçou! E ela era apenas uma criança! A sua cara de pau e frieza me dão ânsia de vômito! Você é um assassino, pedófilo e não deveria ter sido solto!

Lobo: (Risos) Não é pra tanto, Ratinho! Repito: já cumpri a minha pena e não devo mais nada à sociedade...

Ratinho: É nestas horas e situações que eu adoraria que, no Brasil, fossem aplicadas as penas de prisão perpétua ou a pena de morte! Para que sujeitos como você pagassem pelos seus atos da forma mais dolorida possível! Mas, infelizmente, aqui não é assim... Eu encerro a matéria desejando que você morra, seu monstro! E tudo o que foi feito com a Vovozinha e a netinha, aconteça com você, em dobro!

Vamos aos nossos comerciais...






Os Lusíadas:as grandes navegações

Postado por Kênia Pinheiro


Na Segunda Sequência Didática ministrada pela professora Cátia Martins, além do exame e produção de gêneros textuais diversificados - Carta, Debate, Fichamento, Resenha - foi-nos dado a oportunidade de análise do poema maior em língua portuguesa: Os Lusíadas, de Camões.


Estudando sua sonoridade, a beleza das palavras, a exatidão das estrofes oitavadas, foi-nos solicitado que fosse feita uma interpretação do Canto I do famoso poema:



Os Lusíadas - Canto I


1 - As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Vasco da Gama enumera os feitos dos heróis portugueses.

2 - E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Feitos dos heróis portugueses.

3 - Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Diz que os feitos dos portugueses suplantam aqueles feitos por outros heróis épicos.

4 - E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.
Pede auxílio e inspiração às entidades míticas para escrever o poema.

5 - Dai-me üa fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.
Deseja que o canto dos versos seja alto e alcance o maior numero de pessoas possíveis.

6 - E, vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Pera do mundo a Deus dar parte grande;
Dedicatória ao Rei, D. Sebastião. Homenagem e solicitação de fundos para a viagem.

7 - Vós, tenro e novo ramo florecente
De üa árvore, de Cristo mais amada
Que nenhüa nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele pera si na Cruz tomou);
Homenagens ao Rei

8 - Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro,
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando dece o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco Oriental e do Gentio
Que inda bebe o licor do santo Rio:
Exaltação à fé católica em detrimento das demais religiões citadas no trecho (Ismaelita: árabes – islamismo; Gentio: pessoa que não adota a fé cristã; Santo Rio: Ganges – hindus).


9 - Inclinei por um pouco a majestade
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.
Solicita ao rei um olhar benigno sobre os que sairão em viagem.

10 - Vereis amor da pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quási eterno;
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
Diz ao Rei que os feitos dos navegadores não esperam prêmio, e que ele terá seu nome tão engrandecido por eles que não saberá o que é melhor: ser o senhor do Mundo ou o Rei de Portugal.

11 - Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos, como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas
Que excedem as sonhadas, fabulosas,
Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro
E Orlando, inda que fora verdadeiro.
Diz que não haverá façanhas inventadas, como as de outros poetas épicos. As façanhas portuguesas serão verdadeiras.

12 - Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
A cítara par'eles só cobiço;
Pois polos Doze Pares dar-vos quero
Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;
Dou-vos também aquele ilustre Gama,
Que para si de Eneias toma a fama.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

13 - Pois se a troco de (Carlos, Rei de França,
Ou de César, quereis igual memória,
Vede o primeiro Afonso, cuja lança
Escura faz qualquer estranha glória;
E aquele que a seu Reino a segurança
Deixou, com a grande e próspera vitória;
Outro Joane, invicto cavaleiro;
O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

14 - Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que nos Reinos lá da Aurora
Se fizeram por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
Albuquerque terríbil, Castro forte,
E outros em quem poder não teve a morte.
Enumera ao Rei os Heróis portugueses.      

15 - E, enquanto eu estes canto - e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto - ,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que polo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras e do Oriente os mares.
Mostra ao Rei novos feitos gloriosos do povo Português.

16 - Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver, o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
Tétis todo o cerúleo senhorio
Tem pera vós por dote aparelhado,
Que, afeiçoada ao gesto belo e tento,
Deseja de comprar-vos pera genro.
Homenagens ao Rei.

17 - Em vós se vêm, da Olímpica morada,
Dos dous avós as almas cá famosas;
üa, na paz angélica dourada,
Outra, pelas batalhas sanguinosas.
Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos têm lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.
Homenagens ao Rei.